Teatro da Laje – Shakespeare na favela

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No dicionário, laje é uma superfície plana, geralmente de cimento armado, que forma o piso ou teto de uma construção com dois ou mais pavimento.

Na favela, laje é local de diversão. Banhos de mangueira, festas, churrascos, celebrações, encontros e teatro. Na Vila Cruzeiro é o local onde, por anos, ensaiaram os atores do Teatro da Laje – cujo nome é uma homenagem a esta verdadeira instituição cultural das favelas cariocas.

O grupo nasceu em 2003 e desde o início se dispôs a romper barreiras e desafiar conceitos. Assim, toda a dramaturgia do grupo é construída lado a lado com os atores, apostando na interpretação despojada e despretensiosa, na improvisação, no palco nu, na quebra de hierarquias dos elementos em cena.

Antes de partir para outros palcos, como o Centro Cultural Banco do Brasil e Teatro Maria Clara Machado, na Gávea, o trabalho inovador do grupo se ancorava na plateia certa formada pelos próprios jovens e moradores da Vila Cruzeiro.

Espectadores estimuladores que acreditaram no trabalho desde o início e ofereceram apoio decisivo para a trajetória do Teatro da Laje, inclusive com ajuda financeira por meio de uma rede de colaboradores – alimentando uma ligação orgânica com o território que persiste até hoje.
Atualmente o grupo faz residência artística na Arena Dicró, também na Penha, o que conferiu alguma estrutura para os seus integrantes – que se orgulham de ter garantido uma plateia mais numerosa do que a peça com a atriz global Regina Duarte, encenada no mesmo local.

É ali que o Teatro da Laje hoje desenvolve as suas pesquisas e apresenta os seus espetáculos, cria e ensaia, troca, ensina e aprende com outros grupos. Mas a lembrança da época em que faziam “teatro de guerrilha”, não por opção estética e sim por necessidade, continua viva.

Marcas da coragem de atuar em uma área violenta, conflagrada, onde muitas vezes a circulação das pessoas é limitada por causa de tiroteios e guerras entre facções. Como no episódio em que o grupo encenava “Montéquios, Capuletos e nós” simulando tiros no palco, já que havia tiroteio de verdade na comunidade!

“Ao lidar com esta realidade, alternamos tristeza e bom humor. Rir das tragédias é a forma que nós, nascidos em favelas e espaços populares, encontramos para resistir”, ensina o criador do Teatro da Laje, Veríssimo Junior.

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