Our Home Maker Space – Fazer primeiro, entender depois

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Coisas incríveis acontecem na garagem da casa de Dado Sutter. Ali são inventadas e criadas todo tipo de engenhocas que podem parecer complicadas a olhos leigos mas que cedo ou tarde entram na vida de todos.

Drones, impressoras e scanners 3D, microcontroladores para diferentes usos, aplicativos, arduínos, softwares, protótipos em madeira… A lista é longa e está longe de terminar. O que move o Our Home Maker Space é a vontade de fazer acontecer.

Mais conhecido como OHMS, a sigla é uma brincadeira com a nomenclatura usada para designar uma unidade de resistência elétrica e sinaliza que o próprio local é uma unidade de resistência para iniciativas “de baixo pra cima”.

Tudo começou quando Dado resolveu deixar o emprego em um laboratório de tecnologia de ponta da PUC-Rio para se dedicar, ao lado dos sócios André Triches e André Sarmento Barbosa, à cultura do Faça você mesmo. O desejo era ampliar o grupo que participava das discussões para além do ambiente universitário e estimular quem queria fazer e não discutir como se faz.

Com a decisão, o carro da família foi retirado da garagem, transformada em oficina. Com o tempo e mais de 50 pessoas utilizando o espaço de forma constante, o lugar – claro – ficou pequeno. Hoje três garagens acolhem os makers, que sentem a necessidade de ocupar um local maior – já em vias de ser viabilizado.

As economias pessoais de Dado financiaram o projeto por algum tempo – principalmente a compra de equipamentos, enquanto o aluguel do espaço era rateado pelos usuários do local. Mas o dinheiro acabou e hoje o OHMS busca formas mais permanentes de sustento: uma das alternativas encontradas é a prestação de consultorias para empresas e projetos.

A alma da cultura de garagem, porém, permanece intocada. Vários integrantes fazem seus projetos e colaboram com os demais frequentadores, apostando na troca de experiências e conhecimento não só com quem está ali do lado, mas com pessoas de vários cantos do mundo.

“Foi graças à atuação em rede e compartilhamento de conhecimentos que encontramos cabeças que realmente se identificaram com o espaço e pudemos ser vistos por tantas outras pessoas que sempre tiveram reações positivas em relação ao nosso trabalho”, conta Dado.

Assim, os projetos vinculados ao OHMS ocupam listas de discussão e ferramentas colaborativas em busca de soluções inovadoras para as diferentes questões colocadas pelos makers. E o ciclo se estabelece: as pessoas ajudam umas às outras e recebem dicas e respostas ao mesmo tempo em que viabilizam saídas para projetos de terceiros.

Um deles ganhou – literalmente – o espaço. Desenvolvido a quatro mãos (um brasileiro, o próprio Dado Sutter, e o romeno Bogdan Marinescu), o software livre eLua foi escolhido pela Nasa para voar na primeira missão de testes do prato de desaceleração para a atmosfera de Marte em 2014 e está garantido para o próximo, que acontece em março. Se tudo correr bem, o software pode estar no voo tripulado previsto para 2022.

Detalhe: os envolvidos nunca se encontraram pessoalmente durante o desenvolvimento do projeto. Tudo feito com cada um em sua – garagem.

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