Mate com Angu – Cineclubismo na Baixada (e na veia)

gallery post
gallery post
gallery post
gallery post
gallery post

Ancorado na Baixada Fluminense, mais especificamente em Duque de Caxias, o coletivo Mate com Angu é conhecido pelas tradicionais sessões mensais de cinema realizadas na cidade há mais de uma década.

Ao longo deste período, exibições inusitadas fizeram parte da história do coletivo: do pátio da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense a uma sala no subsolo da Câmara de Vereadores – até a transmissão das sessões em uma rádio (!).

Hoje as exibições têm endereço fixo – elas acontecem toda última quarta-feira do mês na Sociedade Musical e Artística Lira de Ouro. E mesmo acontecendo há tanto tempo, o vigor e o instinto provocador dos primeiros encontros permanecem vivos. Como frisam seus idealizadores, “a sessão é o coração do cineclube, o seu terreiro, o local onde o ritual acontece”.

Mas, como era de se esperar, o Mate com Angu apronta muito mais. Ícone do movimento cineclubista fluminense, o coletivo já publicou dois livros sobre sua história, ministra oficinas de audiovisual, produz curtas metragens e webprogramas, organiza eventos, promove festas e faz encontros com outros artistas e realizadores.

Sua mais recente ousadia foi a realização do Festival Curta Caxias – que celebrou, em alto estilo, os doze anos de existência do Mate com Angu. Uma trajetória que começou sem outras ambições além da vontade de provocar, instigar o cotidiano, intervir na cidade, contar e criar histórias.

E embora esteja localizado em uma área mais conhecida por suas carências do que pelos seus potenciais, a Baixada Fluminense, o Mate com Angu não surgiu da vontade de “levar cultura” ou combater o déficit de salas de cinema na região. O impulso sempre foi o prazer e a vontade de realizar.

Filhote da geração digital (“só assim para se fazer filmes em Caxias”), o Mate atua em três frentes distintas e interligadas do audiovisual: exibição (sessões do cineclube), produção (curtas, webprogramas, cobertura de eventos, vinhetas etc) e formação (oficinas e debates).

A relação entre os integrantes é horizontal, sem hierarquias, com processos abertos e disponibilizados na internet. Todos têm a mesma voz e as decisões são tomadas de forma conjunta, colaborativa – o que não quer dizer que todos participem de todas as decisões ao mesmo tempo.
Cada um se envolve de acordo seu interesse e disponibilidade, o que faz com que cada ação tenha protagonistas e lideranças distintas. Em resumo: ideias são semeadas e as pessoas se comprometem da forma que desejam. E assim coisa flui.

“O desafio hoje é dar sustentabilidade ao projeto e alçar voos maiores. As oficinas audiovisuais geram uma renda de vez em quando, mas não é algo orgânico, são suspiros. Hoje trabalhamos nos profissionalizar, para que estes suspiros virem uma das respirações do grupo”, explica Igor Barradas, um dos idealizadores do projeto. “Sem perder o prazer e a liberdade”, finaliza deixando claro o que inspira o grupo.

Comentários

comentários