Goma – Hub criativo

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Goma: no dicionário, liga, cola, substância com poder adesivo, grude, massa aderente. E é exatamente assim que os residentes da Goma, espaço de trabalho compartilhado situado na zona portuária do Rio de Janeiro, se veem: um corpo unido, quase uma coisa só – embora ali funcionem mais de duas dezenas de empreendimentos independentes entre si.

À primeira vista pode parecer que a Goma é um bem-sucedido coworking. Mas a proposta é bem mais ousada: os residentes não apenas ocupam o espaço mas são corresponsáveis pelo espaço, que é organizado como uma associação – ou seja, quem trabalha ali é dono também!

Embora a “goma” tenha dado certo, a ideia surgiu mais da necessidade de constituir uma figura jurídica para agregar as dezenas de pessoas que queriam tocar projetos juntos do que qualquer outra coisa.

“A gente queria vivenciar esta crença de que negócios podem ser feitos em rede, de forma sustentável, inovando e com impacto positivo para a sociedade”, explica Ursulla Araújo, cofundadora da Goma. “O que une a gente, na verdade, é o propósito e não a questão formal, que é importante mas não o principal”, diz.

Mais do que a infraestrutura do espaço, o que interessa aos residentes da Goma é compartilhar projetos, conhecimentos, experiências. Ou a boa e velha troca de figurinhas entre empresas e negócios que fazem parte da chamada economia criativa – são mais de cinquenta jovens empreendedores que privilegiam a inovação e a colaboração em suas atividades.

“Não é objetivo da Goma ser um coworking tradicional, é da nossa essência trabalhar em conjunto, facilitar a interação entre as pessoas e incentivar a troca entre as empresas que estão aqui”, arremata Ursulla.

E, como era de se esperar, muitas conexões e sinergias acontecem neste ambiente que facilita encontros, contatos e parcerias. Negócios e projetos novos pipocam entre os residentes – que acabam por compartilhar sonhos e ideias.

Mesmo assim, melhorias no espaço físico são bem-vindas, discutidas e custeadas por todos. E o melhor exemplo é o crowdfunding interno feito entre os residentes para tocar a primeira fase da obra do condomínio de casas onde a Goma funciona.

Para resolver as questões do dia-a-dia, gestão participativa e empoderamento. Ou seja, não basta ter uma boa ideia e compartilhar. É desejável que soluções para implementar o projeto venham acopladas à ideia, no melhor estilo mão na massa.

Para isso, reuniões semanais acontecem na casa, todas as terças-feiras. É neste momento em que as mudanças, regras e melhorias são pactuadas entre os residentes. Até agora as decisões têm sido tomadas e implementadas de forma orgânica e, sem crises, garante Ursulla.

E engana-se quem acha que é preciso trabalhar full time na Goma para participar deste ecossistema, que abriga ainda eventos, cursos, workshops, oficinas, palestras e rodas de conversa. Categorias definem o tipo de relacionamento que as pessoas podem ter com o espaço.

Por exemplo, quem quer flexibilidade de horários e não faz questão de ter uma bancada fixa de trabalho pois carrega seu laptop pra lá e pra cá, é um “rolezinho”. Já os que desejam apenas aquecer sua rede de contatos, fazer cursos, participar de eventos e não precisa de um espaço de trabalho, é um “amigoma”.

Mas os que querem um relacionamento mais cotidiano, com interação durante muitas horas por dia, pode se candidatar ao posto de residente fixo. Ou seja, é a pessoa quem decide o nível de “grude” que pretende ter com o espaço. Sem convenções ou normas rígidas.

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