Fora do Eixo – Desconstruindo protagonismos

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Mobilizador. Potente. Inovador. Controverso. Contraditório. Polêmico. Definitivamente, unanimidade não é uma característica que combina com a rede de coletivos Fora do Eixo. Seja por parte de quem está de fora e estranha a força política e as práticas inovadoras do movimento, seja por quem atua nele e defende com unhas e dentes o direito à divergência e livre debate de ideias.

Explicar o que faz o Fora do Eixo é uma tarefa complexa. O movimento atua em uma ampla frente que abrange tanto a educação (eles têm uma universidade própria) quanto a economia (criaram uma moeda), cultura e comunicação (quem não ouviu falar da Mídia Ninja, uma verdadeira rede de midialivristas que sacudiu a cobertura das manifestações de junho de 2013?).

No entanto, o Fora do Eixo ficou mais conhecido pelo forte ativismo político – a ponto de criar um partido informal (Partido da Cultura ou PCult), conduzir um movimento de oposição às ministras da Cultura Anna de Holanda e Marta Suplicy e ser apontado como uma das forças que reconduziram Juca Ferreira ao Ministério da Cultura no segundo mandato da presidente Dilma.

Influência que fez com que o movimento fosse tema de um livro: “Os novos bárbaros – a aventura política do Fora do Eixo”, do jornalista Rodrigo Savazoni. Nele, o autor diz que o movimento “estrutura-se fundamentalmente a partir de dois processos internos que se retroalimentam permanentemente: um circuito de distribuição cultural de abrangência nacional e uma organização política de ativismo reticulador digital. As atividades do circuito viabilizam a ação política. Esta, por sua vez, cria condições para o fortalecimento do campo da cultura. O efeito é de um moinho, que está sempre em movimento”.

Amor e ódio

O início do que depois se tornaria o Fora do Eixo se deu nos primórdios dos anos 2000, com a organização de festivais independentes de música. Surgido no melhor estilo “de baixo para cima”, a partir da articulação de jovens de Cuiabá, Rio Branco, Uberlândia e Londrina, o movimento ampliou sua atuação e se fortaleceu na esteira das políticas culturais do governo Lula.

Tanto que em 2013 eram são 18 casas, 91 coletivos e 650 coletivos parceiros contabilizados pelo movimento – além de tantas outras ações, festivais, mostras, encontros, congressos e atividades realizadas desde a sua fundação, em uma espiral crescente de mobilização de atores culturais e políticos país afora.

No entanto, ao longo de sua trajetória, o Fora do Eixo colecionou desafetos – inclusive entre os próprios ex-integrantes e organizações do movimento social, além de intelectuais e jornalistas do campo conservador. Uma das fontes de ataque é o recebimento, por parte do movimento, de verbas públicas e a sua participação em editais – o que seria apontado como uma contradição.

Os integrantes do movimento defendem a posição e argumentam que o Fora do Eixo tem outras fontes de financiamento e que seus projetos – que buscam dar centralidade a ações preteridas historicamente – têm sim o direito de utilizar dinheiro público em suas ações, como qualquer outro.

À medida em que o movimento cresceu e se tornou conhecido nacionalmente – sobretudo depois da célebre entrevista de seus líderes Pablo Capilé e Bruno Torturra ao programa Roda Viva, da TV Cultura – ataques duros e defesas ardentes se multiplicaram pelas redes. Um debate amplificado e visceral, que dialoga com a proposta de atuação do Fora do Eixo, desde o seu princípio e que, pelo visto, está longe de chegar ao fim.

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