Flupp – Literatura produzida nas periferias

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Experimentar, fruir, conhecer e produzir literatura. Coisa da elite? De acadêmicos letrados? De pessoas que aprenderam a valorizar os livros desde o berço? De intelectuais que conseguem “entender” o que os autores querem dizer?

Preconceitos solenemente quebrados pela Festa Literária das Periferias ou FLUPP, como é mais conhecida. O evento, que acontece anualmente desde 2012, inovou ao abrir espaços para que moradores de periferias e favelas não só se aproximassem da literatura mas também se tornassem autores de suas próprias obras.

Desde a primeira edição da FLUPP já foram publicados quatro livros com cerca de 60 autores diferentes – um deles, Jessé Andarilho, jovem morador de Antares e segundo colocado na categoria “Romance” em 2013, lançou o seu livro no ano seguinte por uma grande editora nacional.

Jessé foi participante do processo de formação de autores acontece meses antes do evento, durante a FLUPP Pensa – jogo literário onde os participantes, ou Fluppenseiros, produzem textos que, depois de selecionados por uma banca avaliadora, são publicados.

Os livros, no entanto, são apenas uma parte do processo. O mais importante, segundo Ecio Sales, um dos idealizadores da FLUPP, é a oportunidade para que sujeitos de espaços quase sempre menosprezados pelo status quo possam se expressar estética e literariamente.

“Surgem assim narrativas mais amplas, abrangendo territórios e personagens que não eram narrados ou o eram pelo olhar externo. Não há nenhum problema nisso, mas é vital que estes sujeitos experimentem o papel de autor e tornem a cena literária mais complexa e diversificada “, diz.

A abertura para parcerias, contágios e confluências com atividades e atores diferentes do campo literário clássico é outra característica que rege o evento. Grafiteiros, poetas, músicos, atores, diretores, lideranças comunitárias e até organizadores da já tradicional partida de futebol entre os participantes são convidados a interagir com a FLUPP – que tem promovido encontros entre importantes nomes da literatura nacional e estrangeira com o público.

A ideia é compartilhar experiências, metodologias, saberes, fazeres e desejos para abarcar o máximo possível de aspectos, pessoas e interesses das cidades e comunidades na qual a FLUPP se insere.

O que nunca é o mesmo lugar! A FLUPP tem como conceito a circulação entre diferentes territórios – chegando em 2014 a percorrer diversas cidades antes de aterrissar no Rio de Janeiro, mais especificamente na favela da Maré. O que não significa que pessoas de toda a cidade participem do evento.

A convicção é de que conhecer a cidade amplia o repertório e incrementa possibilidades para que as histórias, poemas e narrativas surjam e se misturem – aumentando as chances de inovação e renovação cultural.

Os resultados proliferam para além do evento. Novos movimentos, saraus, festivais, encontros literários e publicações acontecem inspirados e incentivados pela FLUPP, numa espiral virtuosa de criação e troca em lugares e para públicos antes improváveis.

Facebook: facebook.com/pages/FLUPP/188390951248730
Site: flupp.net.br
Twitter: twitter.com/FLUPP_PENSA

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