Curto Café – Café sustentável

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O clima amigável do ambiente arejado na sobreloja do Terminal Menezes Cortes já seria suficiente para atrair clientes que frequentam o centro do Rio de Janeiro nos dias da semana, em horário comercial.

Mas o Curto Café revoluciona a vida dos amantes de um expresso bem tirado ao unir a qualidade dos grãos 100% arábicos cultivados por agricultores familiares do Espírito Santo à proposta de simplesmente não colocar preço nas bebidas que vende.

Isso mesmo. No Curto Café você entra, escolhe o que quer beber e paga o quanto quiser. Ou puder. E deposita o dinheiro em pequenas caixas dispostas bem no meio do salão. Sem ninguém para receber ou dar trocos.

É a “livre contribuição”, como prefere chamar um dos sócios do empreendimento, Rômulo Martinez. Sim, empreendimento. Porque embora não estipule um preço fixo para suas bebidas, o Curto Café é uma empresa que gera lucro e só não se expande porque os seus sócios preferem “conhecer cada um dos clientes que frequentam o café”.

Longe de ser uma intenção, o “olho no olho” da clientela é uma prática rapidamente comprovada por quem passa um par de horas no local. A maioria das pessoas se cumprimenta como velhos amigos e acenos são fartamente distribuídos entre clientes e sócios.

“Conheço todos, pelo menos de vista. Mas a maioria sei quem é pois nossa clientela foi feita no boca a boca, Um amigo trouxe o outro e por aí vai”, diz Rômulo.

Assim, soa menos estranho o fato do Curto Café não ter sequer um site para divulgar os seus serviços. Na web, apenas uma página em rede social – mais alimentada pelos próprios clientes do que pelos donos.

“Na época da Copa do Mundo fizeram uma matéria sobre o Café em um grande jornal e no outro dia tinha tanta gente aqui que não conseguimos atender ninguém direito. Não é este o tipo de negócio que queremos”, explica.

Para que ninguém tenha dúvidas do quanto custa manter o espaço, um quadro negro com todos os gastos é exposto no salão. Ali são colocados os custos com aluguel, matéria prima, mão de obra, insumos, impostos, água, luz…

E, coerentes com a proposta, divulgam o quanto arrecadaram até aquele dia. “Geralmente a sobra vai para novos investimentos no espaço e equipe” – diz o aviso no quadro.

A política de “não preço” praticada pelo Curto Café já caminha para dois anos de existência. A ideia veio quase por acaso e – paradoxalmente – como uma tentativa para salvar o negócio, que corria o risco de fechar por conta dos altos custos.

Uma forma diferente de empreender, baseada na confiança e na rede de afetos formada em torno de uma iniciativa que inverte lógicas e prefere andar na contramão do mercado tradicional. Mas que, contrariando expectativas, insiste em dar certo!

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