Catete92 – É só chegar!

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Imagine uma plataforma digital, aberta, colaborativa e de interação entre pessoas, serviços e interesses. Destas que fazem parte do nosso dia-a-dia, como o Facebook, o Whats App, a Wikipedia ou o Easy Taxi. Agora transfira esta lógica para um espaço da vida real. Taí mais ou menos o que é o Catete92.

A ideia soa maluca, mas dá certo. O Catete92 é uma casa que fica em uma vila residencial no bairro do Catete, na zona Sul do Rio, e mantém suas portas abertas. Qualquer um pode chegar e utilizar o espaço.

Sim. Pode ser para trabalhar todo dia. Dar um curso ou uma palestra. Organizar um almoço. Fazer uma reunião ou organizar um grupo de estudos. Pintar um quadro. Pedir conselhos. Explorar dilemas. Ou só pra conferir que existe um lugar assim no mundo.

Esta dinâmica faz com que aconteçam de aulas de bambolê a leituras de aura, de cursos de preparação de drinques a performances, de palestras sobre educação alternativa a aulas de idiomas. Cabe de tudo nesta “casa de livre criação e aprendizado”.

Quem usa o espaço colabora. De alguma maneira que esteja a seu alcance: seja em dinheiro – e o Catete92 tem formas de “medir” o uso da casa, embora prefira não basear as contribuições na métrica tempo de uso X custo fixo – seja em serviços, seja com uma abordagem afetiva (quando você fecha os olhos, escuta seu coração e define o valor da contribuição). A ideia é que o espaço seja mantido por todos – pois tem um custo mensal e que não é exatamente baixo.

E quem é o dono do espaço? Quem recebe as contribuições e administra a casa? Quem fiscaliza se as regras estão sendo respeitadas? “Ninguém” pode ser uma resposta, no sentido de não haver uma pessoa específica que gerencie a Catete 92 ou estipule regras para o seu funcionamento.

Mas “todos” certamente é uma resposta bem mais coerente com a vocação do Catete92. Por “todos” entende-se as pessoas que de alguma forma utilizam e ocupam a casa.

“O Catete92 certamente não é um negócio. Ele não tem produto, gerência, donos, lucro, projeto ou meta, além de existir”, explica Felipe Duarte, um dos participantes do espaço. “No entanto, muitos negócios se relacionam e prosperam dentro da esfera da casa”, arremata.

Segundo Felipe, existe uma “tendência elegante” onde as pessoas se adaptam e reproduzem o sistema da casa: contribuição consciente, baixa curadoria e autogestão. Assim, não existem empregados ou voluntários. Todos são igualmente “operadores” e “clientes” – o que implica em facilidades mas também em (muitas) responsabilidades.

Fundado em abril de 2014, o Catete92 tem conseguido – com sua proposta de liberdade e autonomia “explícitas” para seus usuários – pagar suas contas e sobreviver. Além das contribuições diretas, arrecada por meio de uma plataforma de crowdfunding recorrente que tem garantido contribuições mensais para a casa.

“Estamos criando iniciativas de conscientização sobre o custo do espaço e a importância de criar uma previsibilidade das contribuições”, diz Felipe, que avisa que a casa trabalha sob o paradigma da abundância.

É assim: tem pra todo mundo – acreditamos que vai ter – colaboramos para criar – aumentamos o fluxo – diminuímos os custos – somos inclusivos, logo… TEM PRA TODO MUNDO.

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